De 27 a 31 de julho, Brasília recebeu mais de 2.000 pessoas de todos os biomas do país para a VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica, a SOBRE 2026. O tema “Inclusão e Justiça Climática” deu o tom de uma edição diferente das anteriores. Pela primeira vez, quem está na ponta da cadeia de restauração ocupou o centro da discussão: coletores de sementes, redes comunitárias, representações indígenas. O IOV marcou presença com Anderson Rogério Lopes, que acompanhou os debates sobre redes de sementes e financiamento da restauração, e com Vinicius Teixeira Arantes, que apresentou um trabalho científico desenvolvido na área experimental do Instituto.
Ao longo dos cinco dias, a conferência alternou entre plenárias temáticas com palestrantes de todo o Brasil, sessões simultâneas por temas específicos e sessões de apresentação de pôsteres onde pesquisadores debateram seus trabalhos diretamente com o público. Para Anderson, o que diferenciou essa edição foi o espaço dado a quem executa a restauração no campo. “Foi muito inovador essa conferência dessa vez porque tinha muita gente, representações dos diferentes biomas, discutindo as pautas, os programas, os projetos, e, muita participação de falas de redes de sementes, então isso foi um ponto interessante”, conta. Pela primeira vez, havia sessão temática dedicada exclusivamente às redes de sementes, com discussão sobre coleta, comercialização, gargalos e oportunidades. “Dar espaço para a voz da restauração, que muitas vezes são as de quem está na ponta da cadeia”, foi, na sua avaliação, o aspecto mais marcante da edição.
O PLANAVEG, Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa, com meta de recuperação de 12 milhões de hectares, foi tema central nas plenárias, com participação de representantes do Ministério do Meio Ambiente, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, do Fundo Amazônia e da Aliança pela Restauração da Amazônia. “Foi discutido de tudo um pouco relacionado a desafios e oportunidades na questão da cadeia da restauração, de quem implanta, de quem faz assessoria, de comercialização, de política, de financiamentos reembolsáveis e não reembolsáveis na linha de restauração”, resumiu Anderson.
Além da participação nas plenárias e atividades, o Instituto participou também demonstrando resultados das pesquisas. Vinicius levou à conferência o trabalho “Desempenho de espécies arbóreas em sistemas silvipastoris sob diferentes arranjos e gradientes de fertilidade do solo”, escrito através de uma parceria entre os pesquisadores Alexandre de Azevedo Olival (UNEMAT), Vinícius Teixeira Arantes, Toby Richard Pennington, Daniel Carrara, Guilherme André Negrisoli Barreto e Sara Cristina Flauzino Silvan. A pesquisa, desenvolvida na área experimental do Instituto Ouro Verde e realizada através do Projeto CASPER (Armazenamento de carbono em pastagens através da Restauração Ecológica), analisa como espécies nativas da região se comportam na área experimental do IOV sob diferentes condições de solo e arranjo espacial, base científica que apoia diretamente os sistemas silvipastoris.
O pôster foi apresentado no último dia da conferência. O formato, em que o pesquisador fica disponível ao lado do painel para conversa direta com quem passa, mostrou-se produtivo. “Várias pessoas falaram comigo durante a apresentação ali, que você fica ali do ladinho do pôster e os interessados vão passando, puxando assunto e buscando informações sobre o trabalho”, conta Vinicius. A troca com grupos de outros estados que trabalham com linhas parecidas foi um dos resultados práticos da ida ao congresso. E, é justamente esse compartilhamento de informações que interessa: levar o trabalho desenvolvido no território para um debate que pauta políticas públicas nacionais, e trazer de volta para o território as perspectivas sobre financiamento, escala e inovação em restauração que estão sendo construídas em nível federal e em outras áreas, conforme experiências apresentadas.
Ainda na linha da pesquisa, Anderson também acompanhou a apresentação do banner “Variabilidade de procedências de sementes nativas para a restauração em uma rede comunitária da Amazônia”, que demonstrou resultados de testes de sementes da Rede Sementes Portal da Amazônia em laboratório, trabalho realizado no âmbito do Projeto Amazônia +10.


Mequiel Zacarias Ferreira / ASCOM IOV
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