O trabalho do Instituto Ouro Verde continua se tornando referência quando o assunto é agricultura familiar. A Dra. María Paula Escobar-Tello, professora sênior de Interdisciplinaridades Animais e Governança Ambiental na Escola de Medicina Veterinária de Bristol, Universidade de Bristol (Reino Unido), esteve recentemente em Alta Floresta e região com o apoio de uma bolsa da Research Development International Award, com o objetivo de conhecer o modelo de atuação do Instituto de perto e entender a relação com as comunidades e os impactos gerados pelas ações e projetos.
A pesquisadora descreve: “Em busca de respostas concretas e práticas, desembarquei há duas semanas em Alta Floresta, no estado de Mato Grosso, Brasil. Estou aqui para conhecer o trabalho do Instituto Ouro Verde (IOV), fundado pelo Dr. Alexandre de Azevedo Olival, professor da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT). O Instituto oferece serviços de extensão rural e assistência técnica a pequenos agricultores. Quero aprender sobre sua abordagem experimental e voltada para a resolução de problemas, uma verdadeira parceria de longo prazo, profundamente transformadora, com as comunidades com as quais trabalham.”
Para realizar a atividade, a pesquisadora se juntou a equipe do Instituto e ao Prof. Alexandre e foi às comunidades atendidas, passando por diversas experiências e conhecendo locais como o Assentamento Boa Esperança, em Novo Mundo, e o Assentamento Raimundo Vieira, em Nova Guarita. A pergunta que conduziu os encontros, nas sombras das árvores e nos barracões comunitários, era a mesma de quem observa com rigor e curiosidade: como o IOV construiu ao longo do tempo uma parceria com as comunidades que é transformadora de forma duradoura, sem ser hierárquica e sem substituir o protagonismo das famílias. A publicação de María Paula mostra essa lógica: as soluções foram surgindo a partir de problemas concretos das comunidades.

Dentre esses problemas, ela destaca: “Solucionar a falta de tanques de resfriamento de leite parecia ser uma prioridade. Em seguida, surgiu o problema do esgotamento das fontes de água, para o qual a solução foi o reflorestamento. Mas o reflorestamento exige árvores, de preferência nativas, e assim surgiu a ideia de organizar uma rede de coletores de sementes que garantisse a disponibilidade das sementes. O banco comunitário, a associação de mulheres artesãs e o sistema de comercialização solidária (SISCOS) são outras respostas coletivas aos problemas da comunidade. Eles também foram alcançados por meio de consultas e experimentações e continuam a evoluir: o impacto é um trabalho em constante construção”, avalia a pesquisadora.
A observação que atravessa toda a publicação é a de que o que o IOV produziu ao longo de décadas não é apenas recuperação ambiental ou geração de renda: é um tecido social flexível. “Um trabalho de amor; nenhuma outra força poderia ter alcançado o que testemunhei”, escreveu a pesquisadora. Ela afirma que os laços comunitários construídos pelo IOV são exatamente o que está ausente nas comunidades amazônicas da Colômbia onde ela também atua, e que essa ausência, acredita, explica a diferença de resultados entre as duas regiões. A partir dessa constatação, ela planeja desenvolver um projeto de pesquisa inspirado no modelo do IOV para investigar como a ciência pode contribuir para construir esse tipo de vínculo em outros territórios.
Leia a publicação na íntegra em:
environment.blogs.bristol.ac.uk/2026/08/10/impact-epistemologies-and-investigacion-accion-participativa-in-brazils-amazon-visiting-the-instituto-ouro-verde
Mequiel Zacarias Ferreira / ASCOM-IOV
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